A gaveta
Eu não sou acumuladora, juro.
Três rascunhos estavam prontos quando acordei em plena terça-feira (leia-se hoje) sem ter nada para publicar. Eu disse NADA. Sim, havia os rascunhos, mas nenhum deles chegava a lugar algum. O que eu queria dizer mesmo? E a grande pergunta que aflige dez entre dez escritores: será que eu realmente tenho algo (bom, útil, necessário, importante, revelador…) a dizer?
Fiz o que há de pior entre as opções disponíveis e, ao invés de continuar a nadar a escrever, decidi passar o dedo indicador na tela do celular. Eis que me deparo com o seguinte vídeo da Carol Loback.
Fiquei pensando num dos móveis lá de casa. Compacto, tem duas gavetas e, num passado longínquo, serviu como uma excelente mesa de cabeceira. O tal móvel era tão bom que não quis me desfazer dele na mudança. Virou uma espécie de agregado do que hoje é o escritório onde eu e Tiago deixamos livros, pastas com documentos, notebooks e afins. O quarto sério da casa, por assim dizer.
Falei que o elemento é composto por duas gavetas, certo? A de cima, eu usava para guardar coisas especiais, como fotos e ingressos de shows. A segunda eu deixava para a parte burocrática da vida: passaporte e notas fiscais que eu achava importante guardar, como a de um croissant comprado numa viagem a Paris em 2017. Esqueci que o tempo apagaria aquelas informações, fazendo com que recibos e comprovantes de pagamento se resumissem a um grande acumulado de papel velho. Acumuladora, eu?
Lembrei de uma vez em que o condomínio precisou trocar as chaves do portão principal do prédio e meu pai disse “guarda a velha, vá que precise”. Perguntei “de que forma eu posso vir a precisar de uma chave que não serve mais?” e, diante do silêncio dele, joguei fora sem pena. E agora cá estou eu, ciente dos papéis acumulados na gaveta, dando com a língua nos dentes. Bato no peito com orgulho que não sou acumuladora, mas sinto que a mesa de cabeceira me julga silenciosamente.
Se eu fosse boa em cumprir promessas, prometeria aqui e agora que, assim que chegar em casa, jogarei fora todo e qualquer papel desnecessariamente guardado em toda e qualquer gaveta lá de casa. Me conhecendo, porém, pode ser que eu procrastine a faxina por mais uns dias e opte por rolar o dedinho na tela do feed. Vá que eu me depare com algum vídeo engraçado e me inspire para escrever uma edição da newsletter.
Para seguir a semana…
Tem tanta coisa acontecendo por aqui no Substack, tanta gente e tanta leitura que eu gostaria de indicar… Por hoje, deixo aqui os textos do Rafa e do Júnior Bueno, que de uma forma MUITO GENIAL falaram da passagem da Shakira pelo Brasil. Sim, eu sei, o show já aconteceu faz um tempinho, mas o conteúdo que eles trouxeram é atemporal.
Rafael Tourinho Raymundo e as lobas do pop.
Júnior Bueno e um passado da Shakira que os jovens fãs de hoje desconhecem.
Obrigada a quem chegou até aqui, nos vemos em breve <3


Olha: eu tive uma fase Marie Kondo-superclean-minimalista, me desfiz de um mundaréu de coisas e hoje carrego alguns (grandes) arrependimentos... Portanto, seja feliz com a sua gaveta, é o que eu tenho a dizer 😁
Amo teus textos e tua escrita. Tu transforma coisas "pequenas" em textos gostosos. Que bom que esse não ficou na gaveta :)