Eu, criança
O que a sua criança diria sobre você?
Queridos assinantes,
Andei um tanto sumida, andava com certa dificuldade em me concentrar sobre o que queria dizer aqui. Neste meio tempo, vi novos assinantes chegarem e, já culpada por ter furado o cronograma, resolvi (re)começar do zero. Afinal, julho é o mês oficial de lançamento dessa newsletter, então, estava na hora de me reapresentar por aqui. Para quem está chegando agora, seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo. Pegue um chá, um café, um chope ou vinho e aproveite a leitura!
Seu eu criança te acharia legal ou meio chato(a)?
Achei essa pergunta solta num arquivo de rascunho e, honestamente, não lembro onde a li, mas sei que ela não é minha. Desconfio que tenha sido na newsletter Olhar Criativo, do Franco Antônio1. Se alguém tiver certeza, por favor, me confirme os devidos créditos.
A Luísa criança não gostava de lavar os cabelos. Tomar banho era tranquilo, o problema era a hora do xampu e condicionador. Mas eu já falei do drama da minha cabeleira aqui e sobre como a Fernanda Torres me entende (ela não me conhece, mas acho chique dizer isso e direi sempre).
Voltando à pergunta. Talvez meu eu criança me consideraria um pouco chata pelo simples motivo de eu não brincar mais de Barbie, algo que eu amava demais e que muito fiz até meus 12 anos. Foi quando eu conheci o Leonardo DiCaprio, e aí meu tempo livre era dedicado a comprar revistas de fotos dele (que era o conteúdo que importava) e assistir ao filme do Titanic quantas vezes fosse possível. Foi uma paixão avassaladora, como a adolescência faz com que seja. Não lembro bem quando ou como passou, mas desconfio que tenha sido quando coloquei um poster dos Backstreet Boys na porta do meu quarto.

É engraçado fazer esse exercício sobre o que nossa criança acharia de nós hoje porque, no meu caso, consegui resgatar o quanto a criatividade sempre foi importante pra mim. Inventar situações que não precisavam fazer sentido algum a não ser me divertir por horas a fio. Eu sempre tive minhas amigas, mas também brinquei muito sozinha. Isso não era um problema; eu definitivamente não me sentia só.
Não que minhas criações fossem geniais, mas elas eram livres. De julgamentos, de preconceitos, de prazo de validade, da inveja alheia. Elas eram geniais para mim.
Vai ver por isso eu sempre tenha sofrido com provas de matemática: tudo muito lógico, quadrado, sem graça. É assim porque sim e porque sim, nesse caso, era resposta. Tudo bem que os números têm sua razão de ser, mas não sinto saudades de estudá-los.
A escrita foi o único lugar onde a criatividade da Luísa criança nunca morreu. Talvez esse tenha sido o verdadeiro motivo para escolher Jornalismo como profissão (mas também a curiosidade eterna sobre tudo, claro). Viver de contar histórias? Dáme dos! A grande ironia é: por tanto tempo duvidei desse caminho, dessa escolha e, agora, escrevendo este texto, não encontro motivos fortes o suficiente para tamanho sofrimento (ansiedade, você ainda ganhará uma(s) crônica(s) própria(s)).
Acho que a Luísa criança acharia chata a adulta que tanto se questionou, mas gostaria de quem eu sou aqui neste espaço, nesta newsletter que não me deixa esquecer desse diálogo com a criatividade. Ou melhor, comigo mesma.
E você, o que a sua criança pensaria/ diria sobre você?
Posts que sempre valem a leitura: Olhar Criativo
Para seguir a semana…
Junho me atravessou com alguns acontecimentos bons e outros nem tanto. São os ciclos da vida nos mostrando o que importante, o que fica e o que vai. Eu andai meio atrapalhada, mas agora não pretendo mais furar o cronograma (se vou conseguir, são outros 500…). Por isso, encerro a crônica de hoje sem dicas de filmes/ músicas/ livros.
Apenas agradeço, mais uma vez, a presença de cada um de vocês aqui.
Nos vemos em breve!

Senti sua falta. Mas que bom que apareceu. <3
Existe uma inocência da criança que sempre se perde e hoje acho que não é um problema, as coisas simplesmente são como são. Mas não vou responder de bate-pronto, vou ficar com a pergunta. Sempre bom te ler, querida Luísa. Ps. Era fã dos BSB tbm! 😅