Sobre dizer não
E ouvir também.
Dia desses, precisei cancelar um happy hour com uma amiga. Não era bem o que eu queria, mas era o que eu precisava. Fui direto ao ponto: disse que estava realmente cansada e não seria boa companhia. Simples.
Entretanto, não foi sem receio que digitei a mensagem. Não por medo de retaliação, mas porque dizer não - mesmo para nossos íntimos - pode ser difícil.
Não me considero o tipo de pessoa que não sabe dizer “não”, mas reconheço que me custa, a depender da situação. É bem verdade que, com o tempo, a gente vai ganhando mais cancha e se sente mais seguro. Em resumo, dói menos (porque dificilmente vai parar de doer por completo, tanto para quem fala quanto para quem ouve).
Há quem leve qualquer “não” como um soco no estômago. Pode ser uma simples negativa para sair num sábado à noite, mas para alguns é ofensa.
Há quem tenha o “não” como marca registrada, nem adianta discutir.
Há quem confie na frase “o não você já tem” – mas esquece de preparar a réplica (ou tréplica) quando, de fato, o “não” vem.
Há quem não desista diante do “não” e faça de tudo até que ele vire um sim.
Há quem acredite que é perigoso dizer “não” em alguns lugares.
Você já teve medo de dizer “não” em casa?
E no trabalho?
Para um vizinho?
Um amigo?
Um amor?
Um “não” tem o peso do limite - o seu e o do outro. Já ouvi alguns “nãos” que me custaram oportunidades, mas hoje reconheço que merecia ouvi-los. Por outro lado, passei um tempo sem dizer “não” a colegas, chefes, clientes. Não recomendo.
Mas a gente aprende… Bem, evitemos generalizações. Há quem passe uma vida sem saber ouvir um “não” – ainda que essa mesma pessoa espalhe “nãos” com a tranquilidade de um buda. É complicado. Nesse tipo de situação, acredito que o melhor seja desejar boa sorte e manter distância. Afinal, um ego tão inflado pode estourar a qualquer momento.
Estou longe de ser expert no assunto, mas aprender a ouvir E dizer “não” está na lista de coisas que valem a pena enquanto estivermos neste plano. Confesso que, volta e meia, remoo alguns “nãos” que poderiam (ou deveriam?) ter sido ditos, mas os guardei na esperança de que a pessoa aprendesse com o silêncio que ofereci em troca. Já os “nãos” que disse em alto e bom som, com vontade e consciência, desses eu morro de orgulho. Alguns, inclusive, saíram da minha boca transparentes como o mar do Caribe, leves como uma pluma. Belíssimos.
Dizer “não” em excesso pode te deixar mais recluso, talvez você perca alguns encontros legais que a vida proporciona. Dizer “sim” para tudo também não é a solução, como bem explica o filme do Jim Carrey. Qual a dose certa, então? De preferência, a que não agride - nem a quem diz, nem a quem ouve.
Fica o desafio: saibamos dosar.
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Vale destacar que minhas publicações mais recentes contam com a revisão do meu amigo Rafael Tourinho Raymundo, autor da newsletter O Questionador.
Para seguir a semana…
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Se tão importante, por que tão difícil de aprender? 😅😅😅
Já refleti bastante sobre a questão de dizer não (acho que tem muito a ver com gênero, inclusive), mas nunca sobre saber escutá-los. Obrigada por essa reflexão, Luísa! Bom ano, querida! Beijos